O Ensino remoto na Universidade Pública: Entre a (des)adaptação e a precarização da Educação

O Ensino remoto na Universidade Pública: Entre a (des)adaptação e a precarização da Educação

O oitavo encontro do I Seminário de Formação Sindical do Sindipampa teve por tema “O Ensino remoto na Universidade Pública: Entre a (des)adaptação e a precarização da Educação”. O palestrante foi Rafael da Costa Campos, presidente da Seção Sindical Docente da UNIPAMPA. Atualmente Professor Adjunto III da Universidade Federal do Pampa, Rafael cursou Pós-doutorado em História Social pela Universidade de São Paulo. É Doutor em História Social também pela Universidade de São Paulo. Mestre em História pela Universidade Federal de Goiás, é Bacharel e Licenciado em História também pela Universidade Federal de Goiás.


Rafael começou sua fala destacando a importância do tema como relevante em um debate nacional, que ocorre no Grupo de Trabalho de Educação do ANDES – Sindicato Nacional Docente. Ressaltou a criação de uma cartilha sobre o ensino remoto em tempo de pandemia divulgada em setembro de 2020, disponível no site andes.org.

Desenvolveu reflexões sobre questionamentos como: “O que está sendo o ensino remoto?” e “Como tem impactado o trabalho docente?”. Utilizando pedagogia própria do ensino remoto, apresentou slides iniciando a abordagem do tema de diferenciação necessária entre educação e ensino a distância. Comentou que o ANDES considera o ensino a distância como apressado, mercantilista e oportunista em nível internacional, não se tratando de forma nenhuma de educação a distância, pois a educação, segundo premissas de Paulo Freire, engloba dimensões fundamentais, e uma essencial é a produção crítica e criativa do conhecimento. E isso, apontou Rafael, requer diálogos construtivos entre professor e aluno. As condições para esse tipo de diálogo e para compartilhamentos são adequadas no ensino presencial, mas inexistentes no ensino remoto. Além disso, educação exige o tripé ensino – pesquisa – extensão. Portanto, o que se vivencia nos projetos de “educação a distância” são meramente “ensino a distância”. Não são projetos críticos nem criativos, ou seja, não atendem as premissas freireanas. Pelo contrário, constituem um ensino pasteurizado, precarizado. A precarização do processo educativo se dá tanto para educador quanto para educando. Rafael exemplificou pelo ambiente: sala de aula, transmissão televisiva, tutorias e massificação do ensino. O educador recebe menos por suas atividades e o aluno, que teria suposta autonomia para seu aprendizado, na verdade não interage, somente dedica o tempo que normalmente sobra de seu dia de trabalho para assistir aulas. Rafael abordou também as demandas do ensino a distância na própria UNIPAMPA, que extrapolam as demandas do ensino presencial.

Diferenciando ensino a distância normal do ensino remoto, na era da pandemia, Rafael declarou que o “novo normal” tornou a situação ainda pior. Se o ensino a distância já era um arremedo, o ensino remoto passou a representar um duplo arremedo. Num primeiro momento, o “novo normal” foi marcado por euforia com as ferramentas tecnológicas, tais como Google Meet, Zoom, lives no Instagram, no Twitter, etc. Num segundo momento, deixou de ser novidade e apareceram os problemas como atividades síncronas e assíncronas. As condições inadequadas ficaram destacadas. Não houve preparo pedagógico de ninguém para enfrentar a nova situação.
Depois, Rafael abordou a questão da evasão discente, que também faz parte das preocupações e debates nacionais, acentuada em função da exclusão tecnológica, e outras atividades que integram o trabalho remoto docente, que não estão relacionadas diretamente ao ensino, mas à pesquisa, à extensão e à gestão. Comentou que o ANDES tem se posicionado sistematicamente por uma luta contra a precarização da educação via ensino remoto. Essa luta é travada por: defesa de debates democráticos na comunidade acadêmica, defesa da isonomia e igualdade no acesso à educação, defesa do ensino presencial como forma hegemônica de modalidade de ensino, defesa do ensino público, gratuito e de qualidade e defesa do tripé ensino – pesquisa – extensão.

Após a explanação, Rafael mostrou-se disponível e aprofundou debates com a comunidade técnica-administrativa da UNIPAMPA.

Por Felipe Batista Ethur

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Cris Ricordi

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