Nota Pública de apoio à colega Bruna Todeschini, à sua fala na reunião do CONSUNI e às Tradutoras e aos Tradutores e Intérpretes de Libras da UNIPAMPA.

Nota Pública de apoio à colega Bruna Todeschini, à sua fala na reunião do CONSUNI e às Tradutoras e aos Tradutores e Intérpretes de Libras da UNIPAMPA.

Na manhã de ontem (30), durante a 95ª Reunião Ordinária do Conselho Superior da Universidade Federal do Pampa (CONSUNI), a comunidade acadêmica tomou conhecimento – em parte – da condição precária de trabalho que atinge às colegas e aos colegas tradutores e intérpretes de Libras da Unipampa.

A pauta da reunião era sobre a situação dos professores surdos e dos tradutores e intérpretes de Libras. E a situação é crítica.

Atualmente, a Universidade conta com 10 (dez) docentes surdos, distribuídos em 09 (nove) campi, e 08 (oito) discentes surdos, distribuídos nos mais diversos cursos e campi da Instituição, da Graduação em Engenharia de Alimentos, no Campus Bagé, ao Mestrado em Educação, no Campus Jaguarão. Porém, com apenas 08 intérpretes trabalhando atualmente, a defasagem é evidente.

E fica ainda mais evidente se pensarmos que além da tradução, propriamente dita, as/os intérpretes de libras precisam preparar materiais de apoio, revisar textos e trabalhos dos docentes e estudar o conteúdo das diferentes aulas para conseguir traduzi-los com profissionalismo e proficiência, isso sem falar nas outras atividades que desempenham, como projetos de extensão e atuação em comissões de curso ou conselho de campus.

Mas se não bastasse esse cenário, as/os intérpretes de libras ainda estão recebendo, por parte da Gestão da Universidade, e-mails em que elas e eles são RESPONSABILIZADOS pelo não atendimento de demandas encaminhadas pela própria Gestão. Sim, isso mesmo: e-mails têm sido enviados às/aos intérpretes de libras, responsabilizando-os quando determinado evento ou aula não contou com o serviço de tradução simultânea, gerando constrangimento a esses profissionais.

Foi diante desse contexto que a colega Bruna Todeschini fez sua fala na manhã de ontem, durante a reunião do Consuni. Convidada às pressas para fazer uma intervenção, Bruna externou sua intervenção, Bruna externou sua indignação com toda a situação, e reiterou que desde o início do ano as/os intérpretes de libras tem alertado para o quadro, e se empenhado em atender, da melhor forma possível, a comunidade surda da Unipampa. Bruna não conhece a situação apenas por relatos, e-mails ou relatórios impessoais: Bruna é tradutora, e vivencia, cotidianamente, assim como seus colegas, toda a realidade de precarização das condições de trabalho e de responsabilização pelas aulas e eventos não atendidos.

Assim, a Direção Geral do Sindipampa vem a público manifestar seu apoio à colega Bruna Todeschini e à sua manifestação durante a reunião do Consuni, pois ela reflete a indignação de um grupo de profissionais que, a despeito de todas as tentativas de diálogo, até agora não conseguiu sequer uma reunião para discutir a proposta – encaminhada por eles – de uma Instrução Normativa que regulamente e discipline os serviços prestados pelas tradutoras e tradutores de libras da Universidade. E estendemos esse apoio às/aos demais colegas tradutoras/es, às/aos professoras/es surdas/os e à toda comunidade discente surda da Unipampa.

Não se faz inclusão com precarização. As tradutoras e os tradutores de libras da Unipampa não são responsáveis pela defasagem no número de servidores nessa função, e não podem ser responsabilizados por aulas e eventos que não tenham tradução simultânea.

Inclusão se faz, fundamentalmente, com diálogo. E por isso solicitamos, mais uma vez, que a Reitoria receba as/os intérpretes de libras para discutir e aprimorar o texto da Instrução Normativa que foi elaborada e encaminhada por eles no dia 28 de outubro, conforme solicitado pela Direção Geral do Sindipampa através do Ofício 025/2020, encaminhado por e-mail durante a reunião entre Sindipampa, Sesunipampa e Reitoria, ocorrida no último dia 06 de Novembro, e que até agora não foi respondido.

DIREÇÃO GERAL DO SINDIPAMPA

Por Eduardo Chagas

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Cris Ricordi

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